Vinha odiava andar em terrenos irregulares—as pedras afiadas machucavam suas patas. Pior ainda, tudo o que via…
Vinha odiava andar em terrenos irregulares—as pedras afiadas machucavam suas patas. Pior ainda, tudo o que via eram pernas humanas, a menos que se deitasse e expusesse a barriga, atraindo esfregadas indesejadas. Mesmo assim, achava aquilo reconfortante.
Humilhada, Vinha jurou crescer mais alta que humanos, videiras e casas. Empoleirada em videiras encharcadas de orvalho, olhava orgulhosamente para baixo—até que um escorregão a fez cair, sendo pega em segurança por mãos que a esperavam.
Depois disso, Vinha subia com cautela. Então uma voz prometeu voltar, e ela esperou—acima, abaixo e ao longo do caminho—até perceber que talvez tivesse que seguir em frente se a pessoa nunca mais voltasse.